
Cidade do Vaticano, Santa Sé, 21 Mai 2010 (AFP) -O jornal do Vaticano L'Osservatore Romano, ao noticiar nesta sexta-feira a criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético, afirmou tratar-se de "um motor muito bom, mas não é a vida".
O jornal anuncia na primeira página a descoberta científica e confia ao pediatra Carlo Bellieni a tarefa de fazer o primeiro comentário oficial da Santa Sé.
Trata-se de "um trabalho de engenharia genética de alto nível", mas "na realidade, a vida não foi criada", só "houve uma substituição em um de seus motores", escreveu o médico.
"Mais além das proclamações e das manchetes, foi conseguido um resultado interessante que pode ter aplicações e regras, como acontece com tudo o que toca o coração da vida", afirma.
Ao destacar que "a engenharia genética pode trabalhar para o bem", entre outras questões no tratamento de "enfermidades cromossômicas", pede "muita precaução".
"As ações sobre o genoma podem - e o desejamos - curar, mas entram num terreno muito frágil no qual o entorno e a manipulação desempenham papel que não deve ser subestimado", destaca o médico.
"O DNA não é um motor do qual se muda um êmbolo, mas uma parte do ser vivo no qual estímulos inoportunos, embora realizados com boa intenção, podem 'apagar' os genes de forma inesperada", explica, recordando as preocupações com "os possíveis desenvolvimentos futuros dos organismos geneticamente modificados".
A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético foi revelada na quinta-feira, abrindo o caminho para a fabricação de organismos artificiais, segundo os autores da pesquisa realizada nos Estados Unidos.


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